Viver na Espanha tem momentos bem diferentes do Brasil. Os dois países podem ser muito parecidos numas coisas, mas há outras que são muito distintas. A Isa trata disso no blog dela, especializado em mostrar como são as coisas de um e outro lado do Atlântico. E uma das primeiras diferenças que eu encontrei ao chegar por essas terras é que todo esse pedaço do mundo tem um dono: el rey don Juan Carlos I (ou, no seu nome completo: Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias - grande, mas longe de poder competir com dom Pedro I: Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon). A Espanha é um reino, mas ainda que do lado ocidental do Atlântico as pessoas pensem que a Espanha é uma coisa só -toreros comedores de paella casados com sevillanas- esse pedacinho de mundo menor que Minas Gerais tem uma variedade imensa! Assim que, na semana passada, a TV3 (a televisão pública da Catalunha) emitiu um documentário (próprio!) sobre as opiniões de monarquistas e republicanistas em todo o território estatal. Chama-se "Monarquia o República" e dá para ver pela Internet. Era gente contra a monarquia, dizendo que era um sistema retrógrado, anti-democrático e vassalal; era gente a favor da coroa, dizendo que dá estabilidade, que enriquece o sentimento nacional e que estabelece um sistema de controle. É um documentário excelente, como todos aqueles produzidos pela TV3, mostra bem o quão tabu é esse assunto por aqui nas terras do Juca. Muito pouca gente discute a importância do rei, mas parece que é mais por medo e falta de informação do quê porque ele é realmente bom...
... mas não era disso que eu queria falar. Afinal de contas, tanto a monarquia como a república me parecem inadequadas aos tempos que correm. Já falei disso há alguns meses, quando do 15M. Recomendo também o ¡Democracia Real Ya!, que prega o poder realmente popular.
O quê eu queria mesmo contar era que esse documentário me fez lembrar que, de pequenos, meu irmão e eu sempre íamos com meus pais votar. Achávamos o máximo e algumas vezes os mesários até nos deixaram depositar o papelzinho na urna. Eu, de pequeno, era petista. Fervoroso! Ia pra aula com a estrelinha veremlha no uniforme, sabia os jingles do 1º e do 2º turno do Lula (lula-lá, brilha uma estrelha...). Meu pai até hoje me sacaneia pelo meu passado militante. Toda reunião familiar ele tem que contar que "o Raul era muito petista! Pedíamos que ele cantasse as musquinhas e ele sempre te perguntava 'Do 1º ou do 2º turno?'!" De adolescente eu odiava, mas hoje já é bem engraçado mesmo. Em 1993 eu já tinha apoiado o Lula em 1989 e tinha lutado pelo impeachment do Collor. Eu era mais politizado naquela época. Talvez pela esperança que havia no país pelo recente fim da ditadura, pelo povo nas ruas, pelos ares de mudança que pairavam... Ou talvez só porque eu era criança mesmo e tudo parecia legal.
Pois então. Eu me lembro que meu pai vota numa escola e que a seção dele era no segundo andar. Em 1993, fomos votar o sistema -monarquia ou república- e a forma de governo - parlamentarismo ou presidencialismo. Meu pai, então, havia acompanhado com bastante interesse os debates. Ele sempre foi um grande fã de reinos, como a Grã-Bretanha, a Espanha ou a Suécia (cuja rainha é filha de uma brasileira...). Ele nunca gostou de governos e sempre usava um argumento muito monárquico de que os políticos só se preocupam com as próximas eleições, enquanto o rei se preocupa pelo país. Então que subindo as escadas da escoal, meu pai encontrou algum conhecido que estava de saída; nenhum dos dois parou, mas se cumprimentaram e o conhecido perguntou ao meu pai o quê ele votaria. Meu pai, então, soltou uma frase que eu nunca mais esqueci: "Eis aqui um súdito!" Meu pai é muito engraçado... :)
madri.tardinha-preguiçosa-de-domingo.já-menos-frio.planejando-ver-outro-documentário-para-esquecer-do-carnaval...







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